
Rousseau como outros autores tentou definir a natureza do homem, vendo-a como uma espécie de paraíso perdido, como o jardim do Éden, que não tem retorno.
O estado de natureza é bom, mas o homem inserido na sociedade não retorna a ele. O que o homem pode fazer, quando o homem já esta inserido na sociedade, é tentar resgatar alguns princípios dessa natureza, como: liberdade, autonomia, direito à vida, justiça e conciliar o direito de um com o direito de todos.
A ciência e as artes são inúteis para a felicidade e acaba afastando, cada vez mais, o homem de sua natureza somente restando a ele a consciência, que é o que nos permite julgar o bem e mal, guiada pela razão. A partir da razão tenta-se encontrar uma natureza universal.
Rousseau compreende que o estado de natureza esta em constante modificação e a universalidade que caracteriza o estado de natureza se perde na civilidade.
Em Rousseau existe uma ambigüidade aparente, primeiro ele exalta o homem natural, porem com a evolução da sociedade o retorno a essa vida é impossível.
Existe uma diferença entre natureza e cultura em relação ao sexo. A mulher nasce pronta para ser mãe e esposa, já o homem precisa ser formada para aprender a conviver na sociedade.
Rousseau tenta desenvolver seus princípios através da obra Emílio. Podemos identificar nessa obra que o educador não é um técnico ele compreende a vida e consegue sentir, quando existem técnicas, elas são usadas nas questões que constituem o ser humano e a sociedade. O educador é alguém que sonha o mundo, ou seja, tenta encontrar as melhores maneiras de convivência. O educador deixa de ser apenas um ensinante e passa a aprender também, colocando para o educando as questões certas e deixando ao seu alcance as soluções. Por isso, na obra de Rousseau, razão e paixão caminham juntas.
Rousseau aproxima-se de Comenius ao afirmar que a educação serve para formar a natureza.
Uma marca desse autor é a sua utopia, quando ele acredita que o futuro não se projeta na realidade do presente. Para ele existe um ideal, o qual pode ser encontrado no passado, que possa ser utilizado na formação do futuro. Devido a essa visão de pensar o futuro, a educação passou a ter um significado especial. Não se pode separar os meios dos fins. O educando só poderá ser livre, se experimentar dessa liberdade na educação.
O contrato social, do qual Rousseau foi um dos principais participantes, não determina toda a vida. A educação tem que ir alem do contrato.
O educando precisa saborear a vida de acordo com sua idade. Rousseau se destaca quando diz que a criança deve agir como criança e cada idade tem seu valor em si mesma.
Na sociedade sonhada por ele as crianças deverão ser responsabilidade publica, mas não, apenas, como responsabilidade dos governantes de criar escolas. Com isso, Rousseau propõe a Paidéia moderna, afirmando que as pessoas precisam agir com autonomia sendo a mãe a grande formadora.
Ele critica os colégios por não apresentarem uma educação igualitária: “todos, sendo iguais pela constituição do estado, devem ser educados juntos e da mesma maneira, e se não puder estabelecer essa educação publica totalmente gratuita, é preciso ao menos oferece-la a um preço que os pobres podem pagar”, diz ele. Nos colégios encontram-se apenas técnicas e não se trabalha com os sentimentos.
Retornar as ideologias de Rousseau hoje significa tentar transformar a sociedade, formulando perguntas e propondo ações.

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