
RESUMO
Um manifesto e seus múltiplos sentidos
O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova trata-se de um documento que traz varias propostas de educação para o nosso país, seu maior mérito ainda é a defesa da escola pública para todos os níveis de ensino.
Um Manifesto entre manifestos
O Manifesto surge quando já se percebia os efeitos da urbanização. O centro nacional, desde o final do séc. XIX, vinha sofrendo um êxodo do Nordeste para o Centro-sul.
Em 1922 é realizada, no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna, onde foi Graça Aranha quem apadrinhou os artistas e abriu o evento.
Em 1926 surgiu o Manifesto Regionalista que apelava para a valorização das tradições nordestinas contra os “progressistas”.
Na educação, Vicente Licínio Cardoso fez sua parte; fundou os primeiros diretores da Associação Brasileira de Educação e organizou a Conferência de Educação de 1930, mas não chegou a ver a divulgação do Manifesto.
As transformações das escolas urbanas iniciadas em 1920 persistiram após a revolução de trinta, o que acabou emergenciando a criação do Manifesto.
Os educadores que participavam das reformas de instrução, se intitularam como educadores profissionais e sua tarefa era modificar o “habitus” pedagógico, assim as reformas foram uma reforma dos costumes. Eles pretendiam educar o povo pela instrução pública, reformar o ensino e construir uma espécie de “campo cultural”. A tarefa básica deles era secularizar a cultura, onde a escola era a extensão do campo familiar, privado e religioso e promoveria a passagem para o espaço publico da cidade.
Alguns educadores que assinaram o Manifesto foram: Afrânio Peixoto, Anísio Teixeira, Armanda Álvara Alberto, Cecília Meireles, Edgar Sussekind de Mendonça, Fernando de Azevedo, Frota Pessoa, Hermes Lima, Lourenço Filho, Mário Cassanta, Paschoal Leme, Roquette Pinto e Sampaio Dória.
O Manifesto surgiu na imprensa diária em março de 1932, em junho ele foi publicado com uma introdução feita por Fernando de Azevedo seguida de comentários e um esboço, em 10 pontos. Evidencia-se nesse esboço a ambigüidade do Manifesto entre uma escola para todos e a seleção dos melhores ou entre uma autonomia sonhada e a ação diretiva do Estado.
Um dos interlocutores ocultos do Manifesto foi a Igreja Católica com suas posições reacionárias que não davam margem a duvida. Outro interlocutor oculto foram os professores públicos da sociedade Imperial que partilhavam a mentalidade liberal, desejando a proteção do Estado e uma postura reivindicativa e criadora. Desse modo, os pioneiros foram antecedidos por outros que foram “silenciados” pela República sob a acusação de serem lentos na ação.
O manifesto nos livros de História da Educação
Os livros destinados à formação trazem a marca tônica interpretativa de Fernando de Azevedo sobre o Império, ou seja, descartam as realizações dos professores de escolas publicas que lutaram pela educação popular.
Theobaldo Miranda Santos, em Noções de Historia da Educação, concede apenas poucos parágrafos para o Manifesto e faz questão de mostrar as iniciativas da Igreja no campo do ensino superior no país. Aponta também os beneditinos como percussores da expansão do ensino superior de filosofia.
O livro História da Educação no Brasil de Otaíza de Oliveira Romanelli reserva uma seção inteira dentro do quarto capitulo para analise do Manifesto.
Nos textos criados em torno do Manifesto e/ou que a ele fazem referência, denuncia as escolhas de quem escreve a história através do não dito que se desdobra de várias maneiras.
Marlos Bessa Mendes da Rocha se contrapôs às dimensões antidemocráticas em curso no Estado.
As associações também foram importantes para o trabalho proposto pelo Manifesto e a sua importância aparece nos livros de História da Educação destinados à formação de professores.
Os livros que apresentam o manifesto, trazem os educadores como ingênuos, subordinados aos interesses dominantes, românticos e idealistas. O livro Estórias da Educação no Brasil: de Pombal a Passarinho apresenta o Manifesto num capitulo intitulado Dom Quixote e os Sanchos Panças: educadores fora do sistema. Nele o educador aparece desiludido e impotente porque seu pecado é viver no futuro.
A intervenção formadora da escola
O manifesto enfatiza a ação extensa e intensiva da escola sobre o individuo e deste sobre si mesmo, mas com um plano integral. A luta dos pioneiros foi contra a desintegração da instituição escolar e do seu profissional.
A formação ética e política na escola, tanto quanto a instauração do pluralismo e da democracia, permanecem como utopia libertaria.

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