sábado, 31 de outubro de 2009

A POLITICIDADE DA EDUCAÇÃO, a importância do diálogo para transformar a realidade concreta.


Paulo Reglus Neves Freire, Educador e filósofo, se consagrou mundialmente através de três obras: Pedagogia do oprimido, Educação como prática de liberdade e A importância do ato de ler. Ele tem sua base na educação popular, onde utiliza as experiências e o vocabulário do educando para promover sua transformação, esta que é obtida pela problematização através do diálogo. Ele acredita que ação e reflexão devem coexistir para transformar a realidade opressora, pois apenas com esta será verbalismo e com aquela ativismo.
A educação existe para formar pessoas, mas isso nem sempre acontece. O que encontramos em sala de aula são professores jogando informação científica e, às vezes, suas opiniões, enquanto alunos tentam armazená-las, mesmo que por pouco tempo. Isso que acontece é tido como antidiálogo e não forma ninguém para mudar uma sociedade oprimida pela elite brasileira desde a colonização. Para transformar é preciso que o educador tome consciência de sua importância, mas, é claro, não se achando superior ao educando, apenas dialogando com seus “discípulos” e juntos criticando o meio em que vivem.
Com isso, a politicidade da educação se encontra nisso: para educar é preciso criticar, questionar, problematizar e conseqüentemente modificar toda essa opressão e manipulação que nos envolve. É preciso brigar contra esses burocratas, que são a personificação das idéias coloniais. Diante dos problemas sociais não podemos nos acomodar, temos que vigiar a pessoa em quem votamos, lutarmos por mais escolas públicas de qualidade e, talvez, o mais importante, exigir o reconhecimento do magistério como fundamental para a vida social, já que o aperfeiçoamento da cultura de um povo inicia-se na pré-escola.
Quando agrônomos invadem culturas e impõem técnicas de trabalho para serem usadas por camponeses, na verdade estão batendo de frente com os caminhos da educação, liberdade e diálogo, o que fazem é manipular, oprimir e buscar uma maneira que é muito usada para fazer o trabalhador produzir rápido: o antidiálogo, onde apenas se depositam nos trabalhadores técnicas a serem utilizadas na produção de maneira mais eficaz, e com isso acreditam não perder tempo com o diálogo.
No campo, o assistente social não muda ninguém a sua função é, junto com os camponeses, se libertar dessa verticalização que existe no latifúndio. O trabalhador rural é capaz de mudar, mas não de uma forma mecânica. Todo homem está apto a refletir basta que tenha oportunidade para isso através do diálogo, este que não é uma perda de tempo, já que induz qualquer ser humano a transformar a realidade em que vive. “O diálogo é o encontro amoroso dos homens que, mediatizados pelo mundo, o “pronunciam”, isto é, o transformam, e, transformando-o, o humanizam para a humanização de todos.”
A antidialogicidade, de acordo com os agrônomos, é mais rápida, já que não é preciso questionar, nem criticar sobre técnicas que os camponeses nem conhecem. Na verdade ela é um conhecimento falso que tem base na passividade dos receptores dos “depósitos”, ela revela que o homem simples é incapaz de aprender ou aprende lento demais, daí vem o termo: perda de tempo. O antidiálogo se afirma dentro do latifúndio onde há uma divisão de camadas sociais, o possuidor das terras oprime a camada mais baixa, fazendo com que esta se sinta inferior e com isso, também, evite o diálogo.
O diálogo, também, pode ser explorado em sala de aula, só é preciso que o educador induza o educando a questionar, por exemplo, como o objeto estudado pode ser usado em uma realidade concreta? É necessário fazer com que o educando pense no porquê dos fatos e quais suas relações com outros. Temos que deixar de perder tempo alienando a juventude.

Eu tive um professor de História, no meu terceiro ano do ensino médio, que era o típico absolutizador da nossa ignorância. Ele nos fazia acreditar que detinha consigo um conhecimento imenso, mas o engraçado é que, quando o indagávamos de alguma maneira, ele fingia não escutar ou simplesmente dava uma resposta que não satisfazia a indagação.
Todas as invenções que conhecemos hoje se deram através do diálogo, já que os cientistas, por buscarem novas descobertas, são constantemente desafiados. Mas é claro que não podemos obrigar ninguém a dialogar, isto seria, mais uma vez, manipulação. O diálogo tem que conscientizar e, principalmente, nos mostrar que esses que estão no poder não detêm todo o conhecimento e nós, como seres transformadores, temos o direito de fazer mudanças na sociedade, quando acharmos que ela não está mais sendo justa conosco. Temos que utilizar o diálogo sempre, no nosso cotidiano, por exemplo, quando falta entendimento entre pais e filhos, também precisamos ser dialógicos ao nos inserirmos em movimentos sociais, precisamos saber porque estamos lutando e se a causa é justa, se formos o líder, temos que informar tudo que acontece a todos e estar aberto às sugestões e não, apenas, manipulá-los para que façam o que queremos.

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